Exercício - Sem saída - Lucas Fonseca

 


SEM SAÍDA



Personagens:

A - Homem

B - Mulher 1, usando uma mascara para olhos de dormir

C -  Homem de Pijama


      CENÁRIO

              Palco nú, um sofá ao centro e uma escada que da numa porta à direita. Luz forte cobre toda a cena. A entra, desce a escada confuso quase cego com a luz forte e esbarra no sofá machucando seu joelho. Tem o reflexo de sentir dor mas não sente nada. Estranha a falta de dor e segue tateando o sofá. Percebe que encostou em uma perna. Havia outra pessoa ali, sentada no sofá. Era B, que estava sentada fazendo um crochê gigante. A se assusta e pula para trás. B não se mexe, continua concentrada no seu crochê. A percebe que B não teve reação e acha estranho, mesmo assim senta-se no colo de B. B se incomoda e empurra A. Em seguida ameaça A com sua agulha de crochê com a mão tremula de medo. Vagarosamente retira a mascara de olhos feita para dormir e encara A. Se acalma e pergunta a A:

B: O que foi isso? Você pode me explicar?

A: Eu não sabia o que fazer, okay? Mas eu quis sentar em algo mais aconchegante...

B: Eu? Algo mais aconchegante? Olha o tamanho desse sofá!

A: Você tá aqui tem muito tempo já?

B: Sei lá, tô aqui desde que comecei esse crochê. Agora que você me distraiu vou ter que começar tudo de novo.

        B joga o crochê gigante que estava fazendo para trás, começa a fazer um novo e põe sua máscara de olhos. A observa por um momento.

A: O que vocês fazem pra se divertir aqui?

        B não responde. Tempo em silêncio. Um barulho da direita de algo rolando e um grito que se aproxima. B para de fazer seu crochê, sobe a máscara de olhos e ouve atenta. A faz mençaõ para falar, mas B interrompe com um gesto. A porta abre bruscamente e C cai da escada rolando e gritando. A porta se fecha sozinha. A e B observam atentamente, enquanto C rola e grita até o outro lado saindo de cena.

(Pensativo): Muito estranho... Já é a terceira vez essa semana. 

        A olha B sem entender nada. B levanta-se do sofá, analisa o caminho percorrido por C senta-se no sofá. A segue nessa movimentação B.

(para si): Que esquisito. É exatamente sempre o mesmo caminho e a frequência está aumentando.

A: É normal esse tipo de coisa por aqui?

B: Quando eu cheguei não era. Tudo era bem morto. Só eu e meu crochê. Até que um dia caiu esse doido caiu por um lado e sumiu pelo outro. Achei que ele ia vir só uma vez. Mas de pouco em pouco ele começou a aparecer mais e mais. Sempre do mesmo jeito: rolando e gritando. Você por acaso não conhece ele? 

A: Não sou muito com fisionomia, mas ele parece meu tio Cláudio. Ele não viria a um lugar como esses, então não deve ser o tio Cláudio.

B: Por acaso seu tio não tem um irmão?

A: Tem sim, o meu pai, mas ele é fisiculturista, deve ficar longe daqui por um tempo.

B: Hmmm

A: Ja sei! Da próxima ver que ouvirmos ele se aproximando, nós vamos pro fim da escada e pegamos ele!

B: Boa ideia!

A: Qual é a previsão pra ele vir de novo?

B: Não tenho a mínima ideia. Mas não deve demorar muito. (tempo) Você tem namorada?

A: Não

B: ....

A: Você tem ?

B: O que ?

A: Namorado.

B: Não. 

A: ....

B: Quer namorar comigo?

A: Você é ciumenta é possessiva? (B não responde. A inssiste) Hein?

B: Sou

A: Maravilha

        Os dois dão um beijinho rapido e e se viram de costas para o outro com vergonha. Tempo. B começa a olhar para a porta atentamente tentando averiguar o que escuta. A faz menção de pedir B em casamento mas é interrompido pela fala de B.

B: Tá vindo...

        O mesmo Barulho de antes de algo rolando e um grito que se aproxima.

A: Vamos! Pra escada! 

        Os dois correm para o fim da escada e esperam agachados, de braços estentidos. A aflição é evidente em seus rostos. A porta abre bruscamente C cai da escada rolando e gritando. Ao terntar segurar C, A e B são derrubados pelo impacto e conseguem parar o moviemento de C. A e B de caídos no chão observam C que esta em cima deles. C continua a gritrar e se debater como se ainda estivesse caindo e rolando. A tenta tapar a boca de C. Não funciona. Os gritos não param e continuam muito alto mesmo abafados. A destapa a boca de C. A pensa rapidamente em outra solução, puxa a língua de C e a segura fora da boca. Não funciona. B que só agora consegue desprender seus braços debaixo de C, cutuca a barriga de C. O grito é interrompido por uma rapida risada e volta a ecoar. A e B começam a cutucar a barriga de C aos poucos e aos poucos C comecar a rir ao invés de gritar. O ritmo das cutucadas aumenta até ficar frenético e a risada e as cócegas sentidas por C também.  C vai parando de se debater e seu corpo começa a reagir somente as cócegas. C ri estericamente. Quase chora de tanto rir. seu corpo começa doer por conta da risada. Sua risada é alta e deseperada. O ar para de chegar aos seus pulmões e a repiração fica dificil. A e B param. C se recompõe aos poucos.

C: Ai ai....

A: ....

B: ....

C: Uh...

A: Será que você pode sair de cima da gente?

C (se levantando e se limpando) : Vinte anos...

B (se levantando e se limpando) : Olha você me desculpa a bagunça. Eu e meu marido não tivemos tempo de arrumar.

A: Marido?! Mas eu não queria nada...

B (dá uma cotovelada em A) : Cala a boca! Não faz desfeita na frente da visita!

C: Eu to atrasado vinte anos...

B: Você aceita uma água, um café?

C: Se eu não tivesse tropeçado naquela pedra... Tem coca-cola? (A e B fazem não com a cabeça) Bom, eu tava tentando chegar nesse andar, o caminho é longo, da diretoria até aqui são muitos andares. Assim, tem até elevador e tal, mas eu tava precisando emagrecer então eu vim de escada. E tinha a pedra. Aquela merda daquela pedra. 

        A Peça não pode ser terminda por falta de verba.

FIM










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