EXERCÍCIO ESCRITA AUTOMÁTICA COM MÚSICA 08/08/2022 Analu

 1- Escrita automática

2- Monólogo interior (uma câmera)

3 - Som (Consonantes - Equilíbrio, sem tensão ou Dissonantes  - Conflito, ruído)


Dissonante lento

Deve ter sido outro dia. Ou ontem mesmo. Uma fresta de luz tinha invadido o quarto escuro, e se formou um arco-íris. Mas um arco-íris triste. Daqueles que sofrem com a gente. Todos os outros objetos do quarto também sentiram. Viram uma cor de cada vez, se esticar até ali, como um grande elástico infinito que saía do sol. Tudo ao redor escuro. Tudo ao redor sombrio. Mas a cortina se abriu um pouco mais, a luz entrou um pouco mais, invadindo todos os quatro cantos daquele quarto cheio. E tudo fez sentido. Agora fez sentido o que se ouviu da mulher lá de cima: "Você verá e saberá quando for a hora de mudar".


Dissonante rápido

Seu cabelo estava balançando de um lado para o outro. O vento soprava muito forte e a fazia delirar de alegria e medo. A via de rabo de olho, para que não me notasse. Mas ela nem parecia estar se importando, na verdade parecia nem lembrar da minha existência ali naquele cenário. O vento soprava cada vez mais forte e nos movíamos cada vez mais rápido. Tudo lá fora passava como um flash e nós parados, mas em movimento. Até que chegamos no ponto mais alto, naquele que dá um nó na garganta, um nó na barriga. Paramos e ela olhou para baixo, agora com os cabelos na cara. E de repente, uma queda inesperada que aconteceu junto com um grito agudo. O medo que ali existia foi embora e deixou lugar para o prazer.


Consonante lento

Era manhã. Início do dia, onde o sol ainda está começando a se mostrar para o mundo. Naquela fazenda, só dava para ouvir os barulhos da natureza, as árvores sacodindo, os pássaros cantando, tudo para ser um dia perfeito, de paz e tranquilidade. Saí para o quintal e vi uma vaca no pasto ao longe. Ela parecia não se importar com a vida, comendo grama e olhando pra mim, como se nada no mundo a abalasse. Tentei viver como a vaca naquele dia, como se nada importasse, podia até dar leite. As vozes da minha cabeça agradeceram e me retribuiram com pensamentos felizes. Peguei um café, e senti aquele cheiro de começo de dia, deitei na rede


Consonante rápido

Ela encontrou o meu olhar, finalmente. Eu estava a avistando desde quando cheguei, torcendo pra algo acontecer e ela olhar pra mim. Só que paralisei. E agora, o que eu faço? Sorri. Ela sorriu de volta. Paralisei no sorriso. Ela riu ainda mais. Minha cara ficou com um sorriso de desespero, pânico. Ela veio em minha direção. Ao lado dela, haviam muitas outras pessoas, sorrindo, cantando, se divertindo. Ela chegou, me estendeu a mão e eu segurei a mão dela, ainda com um sorriso freak no rosto. Me levou para o meio da roda e começou a dançar. Como? Não sabia nem mais andar


Sons Espaçados - Combinação de Consonante e Dissonante

Tudo havia se perdido. Caiu no chão. A areia que estava dentro daquele bonito jarro, simplesmente se esparramou. Tentei segurar, mas não consegui. De joelhos, chorando, decepcionado. A poeira começou a se levantar com um vento. Cada vez mais pra cima, de frente pra mim. Ela me olhou, sim, a poeira me olhou nos olhos e subiu mais, dando voltas em torno de mim, em torno da casa, em torno de tudo. Tentei entrar na dança, meio desengonçado, consegui. Aquilo virou um rebolejo de duas vidas. Um cântico de duas mortes 


 

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