Sem Saída - Bruna Amorim
Personagens:
A - Homem.
B - Mulher 1, usando uma mascara para olhos de dormir.
C - Mulher 2.
CENÁRIO
Um sofá ao centro, uma mesa de canto com três garrafas d'agua. Luz forte cobre toda a cena. A entra confuso quase cego com a luz forte e esbarra no sofá machucando seu joelho. Tem o reflexo de sentir dor mas não sente nada. Estranha a falta de dor e segue tateando o sofá. Percebe que encostou em uma perna. Havia outra pessoa ali, sentada no sofá. Era B, que estava sentada fazendo crochê. A se assusta e pula para trás. B não se mexe, continua concentrada no seu crochê. A percebe que B não teve reação e acha estranho, mesmo assim senta-se no colo de B. B se incomoda e empurra A. Em seguida ameaça A com sua agulha de crochê com a mão tremula de medo. Vagarosamente retira a mascara de olhos feita para dormir e encara A. Se acalma e pergunta a A.
B: O que foi isso? Você pode me explicar?
A: Eu não sabia o que fazer, okay? Mas eu quis sentar em algo humano, sabe há quantos anos não ganho um colo?
B: Tem mãe não? - para o público - quanto mais eu rezo mais assombração me aparece.
C entra gritando, rolando de dor
C: AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH
A e B não percebem C.
C enquanto grita encara A e B para ver se o percebem. A e B continuam sem o perceber. C cutuca A e B, A e B percebem C. C repete:
C: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH AAAAAAHHHHHHHHHHHH Que dooor!!
B, para o publico: Não falei? E nem rezei ainda.
A: Dor aonde?
B: Isso é drama. Dor é uma coisa que só existe na nossa cabeça.
C grita mais baixo.
A e B se entreolham, e começam a gritar no mesmo tom. Aumentam o volume.
C, gritando: PAROU
Todos se calam.
C: passou.
A: Passou o que, seu doido, você entra gritando, estressa todo mundo e diz que passou, ah não agora eu vou gritar - gritando começa a correr pelo espaço - AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
B segura A e tapa sua boca.
B, no ouvido de A: Eu vou te soltar e se vc começar a gritar eu juro que te quebro na porrada, o mesmo vale pra você - olhando para C.
C: Desculpa eu só queria um pouco de atenção, achei que pelo menos desconhecidos se importariam com a minha dor.
B solta A.
A: se me segurar assim de novo eu me apaixono, hein, da proxima aproveita e enforca.
B: eu não sou obrigada a aturar dois malucos carentes vou embora - sai do palco e volta, por ambos os lados, primeiro andando, depois em desespero, não consegue sair.
B: AAAAAAAAAAAA - gritando - como eu saio daqui? Como vocês entraram?
A e C tentam sair e aos poucos os três estão correndo tentando sair entrando e saindo do palco, vão desacelerando e se sentam no sofa, passam as garrafas d'agua uns para os outros, bebem.
C: quando essas garrafas apareceram?
A: Acho que estão aqui desde sempre.
Todos se olham com a estranheza. Tentam se tocar, mas seus corpos parecem se repelir. Os toques passam muito perto do corpo um do outro porém não encostam de verdade. Eles se olham. Se levantam. Se afastam. Concordam com a cabeça. Vão se aproximando lentamente. C segura uma mão de A com as duas mãos. A puxa B pela cintura. B beija A. A beija C. C se aproxima para beijar B. A tira uma peça de roupa. As outras duas percebem e interrompem a aproximação. Elas se afastam.
B, para C: Um beijo e já ta tirando a roupa. Tenho pra mim que homem não deve ter timming nem no inferno né? - A e C riem e param, entendendo.
A, B e C se entreolham.
Uma luz azul invade o palco, chuva
A: As gotas... Elas.... Elas me lembram da vida, do fogo, do céu, do sol...
B e C se aproximam de A e viram um corpo só.
A: Aqui não há um dia que não chova.
B: Também não há dia, nem sol.
C: Nem vida.
FIM
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